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Jogo rápido porque preciso ir trabalhar.

Uma das 300 ligações que já recebi hoje (Eu pensei que ninguém mais lia jornal impreso) era do Gelson, mecânico que esta refazendo o motor do BR800.

Ele falou que o motor esta pronto e testado. Ontem o BR800 foi curtir um dia em Ilha Bela para dar uma amaciada no motor novo. Hoje ele aperta o cabeçote pela última vez, pois segundo a mística do Gelson, cabeçote do Enertron precisa ser apertado 3 vezes.

O orçamento ficou R$ 300,00 reais mais caro do que o planejado, mas tudo bem, existem coisas que nem MasterCard pode pagar não é verdade?

Agora é trazer ele no sábado, fazer a festa e levar o BR800 em um bom auto-elétrico para arrumar todos os fios soltos e gambiarras. Alguém tem um bom auto-elétrico para indicar?

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A longa aventura de dois amigos de Salvador a São Paulo em um estropiado Gurgel BR-800

Publicada em 01/12/2009 às 23h45m

Jason Vogel

SALVADOR (BA)/SÃO PAULO – Era para ser algo simples: comprar um carro na Bahia e descer rodando até São Paulo. Mas, aos poucos, o editor de imagens Danilo Lombardi e o documentarista João Paulo Costa viram-se em meio a um roteiro de road movie: dois jovens paulistas bem nascidos descobrem o Brasil real numa aventura cheia de imprevistos.Tudo começou com uma obsessão nacionalista de Danilo: ter um Gurgel.

– Quando eu era criança, havia uma concessionária da marca perto da minha casa, com o outdoor “Fuja do rebanho”. Um dia, do nada, acabou – conta.

Aos 18 anos, ele ia ganhar um carro de presente do avô. Pediu um BR-800 usado mas, com alguma decepção, recebeu um Ford Ka zero-quilômetro. Passaram-se mais dez anos e o desejo de ter o carro popular nacional hibernou. Até que, em agosto passado, a gripe suína deixou Danilo de molho em casa. Para não morrer de tédio, leu o livro “Gurgel: um sonho forjado em fibra”, biografia do empresário e engenheiro João Augusto do Amaral Gurgel. Pronto: a paixão voltou ainda mais forte.

” Quando eu era criança, havia uma concessionária da marca (Gurgel) perto da minha casa, com o outdoor “Fuja do rebanho”. Um dia, do nada, acabou ”


Pela internet, começou a procurar um BR-800 baratinho. Chegou ao telefone de um mecânico na Bahia que tinha vários. Por R$ 3.500, o negócio foi fechado.

O mais prudente seria transportar o carro de caminhão pelos 2.000km até São Paulo, algo trivial. Bobagem: melhor descer rodando com a caixinha de fósforos sobre rodas! Dos conhecidos de Danilo, só o amigo João Paulo, vulgo Fino, entendeu o espírito da coisa e topou ser o copiloto.

Tecnologia digital no lugar da mecânica

Cegos em mecânica, amigos se armaram de tecnologia digital para pegar a estrada.Fizeram blog, twitter e resolveram filmar a viagem inteira. Tinham também MSN e uma supercâmera de vídeo. Quem sabe não dá um documentário no fim? Pegaram um voo da Azul (“porque os aviões são brasileiros, da Embraer”). Já em Salvador, Danilo teve a ideia de descer até São Paulo via Brasília.

– Queríamos chegar lá para o Sete de Setembro. Foi em Brasília, no desfile de 1987, que o engenheiro Amaral Gurgel apresentou o protótipo do BR-800.

O otimismo dos inocentes no começo da viagem

Em Salvador, a dupla percebeu que as coisas não sairiam como o planejado – e que nem todo lugar tem o mesmo ritmo de São Paulo.Jorge, o mecânico com quem Danilo havia fechado negócio, apresentou três escombros de BR-800 (“escolhe um que eu monto para vocês”).

Apesar de bambas em tecnologia digital, Danilo e Fino são absolutamente cegos em matéria de mecânica de automóveis. Além disso, nunca tinham viajado pelo interior do país.

Confiante no castigado Gurgel, Danilo abusou do motorzinho Enertron, de dois cilindros e 798cm³, com pujantes 32cv.

– Esse doido esticou terceira marcha a 85km/h, para ultrapassar um caminhão – dedura Fino, mais comedido ao volante.

Resultado: após um dia de viagem, luzes de alerta acenderam e o carro foi perdendo potência até parar de vez, no sertão da Bahia. A junta de um cabeçote havia queimado, a água desceu para o cárter e o motor fundiu.

Cada passo era divulgado pelo iPhone e pelo BlackBerry. A essa altura, o número de seguidores da viagem pelo twitter e pelo MSN já havia ultrapassado o universo de conhecidos de Danilo e Fino. A notícia correu e o pessoal que curte automóveis inusitados começou a acompanhar os flashes da dupla.

– Era um monte de palpites tentando ajudar – diz Danilo.

O jeito foi despachar o carro para Salvador. Na volta para São Paulo, a dupla pegou carona com ex-cegonheiro da Gurgel.

– Durante toda a viagem essas coincidências iam acontecendo toda hora. Registramos tudo – conta o dono do BR-800.

Destino BR-800

Não foi um motor fundido que fez a dupla desistir. Para financiar a segunda viagem, os amigos fizeram camisetas do projeto “Destino: BR-800” e venderam tudo pela internet. E, assim, no dia 21 de novembro partiram novamente de Salvador, agora pelo litoral, para uma viagem de 2.200km até São Paulo.

– Passamos a viajar mais devagar e à noite, quando não tem tanta gente nos ultrapassando – diz Fino.

Eles conheceram muita gente pelo caminho. Por uns, foram tapeados. Por outros, ajudados. Na quinta-feira passada, a dupla já estava na Via Dutra, com 16 horas de imagens registradas em vídeo. Faltando apenas 350km para o destino, o motor foi para o espaço novamente.

Aí, outra coincidência: enguiçados num posto em Piraí, os aventureiros encontraram outro dono de BR-800, que indicou uma oficina especializada, em São José dos Campos.

E é lá que o carrinho está sendo recuperado. O serviço deve ficar pronto por esses dias e a festa na casa de Danilo já está marcada para sábado, data prevista para o Gurgel chegar – rodando! – a São Paulo. Será que agora vai? O episódio final desta aventura estará no blog destinobr800

Link: http://oglobo.globo.com/economia/carroetc/mat/2009/12/01/a-longa-aventura-de-dois-amigos-de-salvador-sao-paulo-em-um-estropiado-gurgel-br-800-915010151.asp

A viagem – Fino

Algumas coisas foram muito importantes para mim nesta viagem. Antes de começar essa a saga eu não estava muito bem, estava com problemas quanto a minha doença, estava tendo algumas ausências (um sintoma para uma convulsão, quando se tem epilepsia). Mas eu resolvi ir, acabei ligando para o meu médico e ele me deu uma dose meio cavalar para ir viajar, sabia que eu precisa concluir o que eu tinha começado.

Foi uma viagem maravilhosa, dormimos em lugares absurdos e fizemos coisas que com certeza não vou esquecer jamais.

Cheguei em casa meio triste, afinal não ganhei os 100 reais do meu pai e muito menos o almoço dos meus colegas, acho que foi um pouco de vergonha, afinal tinha certeza que o Gurgel ia chegar aqui em SP.

O carro chega no sábado agora, vamos buscar ele no mecânico que deixamos e como todo brasileiroo resumo de tudo isso é a festa que vamos dar.

Tomara que isso não acabe, tenho muitos projetos e vontades…

Galera neste sábado acontece a Grande Festa de Chegada do Destino BR800!

Convite abaixo!

E agora José?

Drummond, genial que só, escreveu E agora José. Nós, dois manézinhos que somos escrevemos:  E agora? São José.

Quando o carro quebrou no Rio de Janeiro e descobrimos que mais uma vez teríamos que abortar nosso sonho de trazer o O BR800 de Salvador para São Paulo no primeiro momento foi tristeza total. Lembro que falei para o Fino: Fudeu, fez o mesmo barulho que a última vez, já era! O Sonho acabou!

Logo que chegamos ao Posto Nacional em Piraí, fomos abordado por um Agenciador de Cargas que entusiasmado falou: “Meu irmão é mecânico e ele tem um BR800 branco que ele não vende por nada. Espera que eu estou chamando ele para ver o de vocês!”

Pronto, nunca o ditado “A males que vem para o bem” , foi tão bem empregado. Neste posto conhecemos pessoas fantásticas que nos fizeram ver o Brasil com outros olhos. (Não quero entrar no mérito da questão, vou deixar isso para um outro post, mas o Posto Nacional foi um divisor de águas quanto a minha persepção de Brasil e de cultura).

O Gilson, irmão do Agenciador de Cargas, me mostrou o BR800 dele, um brinco, novinho, todos os desenhos origianis de fábrica no console do painel. Quando ele viu o meu entusiasmo em ver um Gurgel tão bem tratado ele logo falou: “Quer dirigir?” Na hora peguei a chave e andei uns 10 km pela Dutra. Só posso dizer uma coisa para vocês: “Que delícia de carro!” Ele andava a 90km/h, 100km/h tranquilamente, motor relativamente silencioso e com um barulho completamente diferente do meu. A embreagem dele também era muito mais macia que a minha, assim como o cambio.

O Gilson olhou o meu motor e falou: “Eu poderia pegar o seu motor para fazer, mas vou indicar o cara que fez o meu motor. Ele é o melhor mecânico de motor Enertron que existe. Vamos ligar para ele e você deixa seu carro lá.”

Foi o que fizemos. O Gilson me apresentou 0 Gelson, (olha que nome para dupla Sertaneja!) que prontamente falou: “Traga seu BR800 para mim, que eu deixo ele novo.”

Conseguimos um caminhoneiro para fazer o transporte Rio de Janeiro – São José dos Campos, o nome dele era “Vermelho” (em outro post vou contar mais sobre o Vermelho, outro cara gente boa pra caralho. Ele já falou: Adorei esse carro, vou buscar um em Salvador e trazer para o Gelson deixar ele 0Km)

Quando chegamos em São José dos Campos, a primeira alegria. O Gelson tem um Motomachine na garagem. Sempre quis ver um de perto. Tocar, entender, sentar no banco, segurar no voltante. O Vermelho quando viu falou: “Nossa, esse carro é um tesão!” Depois de conhecer pessoalmente o Motomachine, o Gelson apresentou um BR800 versão Jipinho conversível que ele mesmo fez. Outro carro maravilhoso que se minha mulher ver, vai querer comprar.

Depois de nos despedir do Vermelho, ficamos conversando com o Gelson. Ele nos deu uma aula sobre motor Enertron e Gurgel, contou inúmeras histórias e explicou o que será feito no meu motor.

Após acertar o pagamento e a data de entrega, 05 de dezembro, pedi para ele fazer o trabalho com carinho e cuidar bem do BR800, com um sorriso sincero no rosto ele respondeu: “É só isso que eu sei fazer, aliás faço isso desde que comprei o meu primeiro Gurgel.”

Depois de ouvir isso, tive certeza que ele estava em boas mãos e é por isso que eu escrevo:

E agora? São José.

 

No dia 05 de dezembro, eu e Fino vamos para São José dos Campos, pegamos o BR800 com o Gelson e levamos ele até o Rio de Janeiro. Dormimos no Rio de Janeiro e no dia 06 de dezembro voltamos dirigindo o Gurgel até São Paulo. Vamos parar na divisa e fazer a tradicional dancinha da divisa e completar a primeira parte da nossa aventura que é trazer o Gurgel de Salvador até São Paulo dirigindo.